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A quantas andam as relações entre EUA e Israel?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Quando um membro do governo Obama escreveu este artigo, as discussões sobre o papel de Israel no jogo mundial foram inflamadas. O país já está em pauta no noticiário por causa do ataque ao navio turco com ajuda humanitária que ia a Gaza. Agora, com um membro do maior aliado dos judeus pondo em questão as relações entre EUA e Israel, a discussão fica mais quente.

A relação entre os Estados judeu e norte-americano data de tempos atrás. Os EUA, em reação ao holocausto, que matou milhares de judeus europeus, sempre se colocaram ao lado de Israel. Além disso, os EUA veem em Israel um forte aliado na luta contra os terroristas árabes da região do Oriente Médio, e, principalmente, um grande parceiro contra o Irã.

Ultimamente, porém, as ações de Israel têm ido contra os interesses dos EUA, escreveu Anthony Codesman em seu artigo. "[o governo], particularmente o de Benjamin Netanyahu, ignorou as questões de segurança nacional, e, ao invés, tomaram atitudes que ferem exatamente esse ponto".

"É hora de Israel perceber que tem obrigações para com os Estados Unidos, assim como nós temos com Israel, e eles precisam perceber que a paciência do nosso governo está acabando", continua Codesman em seu artigo. Muitos cientistas políticos concordam que o número de ações tomadas por Israel que irritaram o governo Obama vêm aumentando exponencialmente desde que Netanyahu assumiu.

O ataque ao navio de ajuda humanitária turco é um exemplo. A ação militar israelense dificulta as negociações norte-americanas tanto com árabes quanto judeus na luta contra a expansão nuclear iraniana. A recusa de Netanyahu em acabar com os assentamentos judeus em territórios árabes é outro entrave às relações diplomáticas entre os países, pois mina qualquer tentativa de se chegar a um acordo pacífico entre as duas etnias. O próprio presidente Obama já chegou a afirmar que as péssimas relações do novo governo judeu com os vizinhos árabes custa aos EUA "sangue e dinheiro".

Tudo isso causou alvoroço na comunidade judaica norte-americana, forte apoiadora de Israel. De acordo com o Washington Post, o mero posicionamento do presidente Barack Obama contra o ataque ao navio turco por parte de Israel gerou reações conservadoras. Liz Cheney, filha do ex-vice-presidente, chegou a dizer ao jornal que "ou os EUA ficam ao lado do povo de Israel na guerra contra o terrorismo, ou estamos promovendo o radicalismo islâmico".

Até mesmo membros da Câmara e do Senado têm ficado preocupados com a mudança bruta no posicionamento americano frente às políticas israelenses. Mas, embora muitos setores ainda bastante conservadores da sociedade continuem a defender uma aliança cega com Israel, o que os cientistas políticos e internacionalistas falam é que a mudança na administração Obama é extremamente positiva.

"O que o presidente Obama fez foi tirar a ênfase da tão chamada 'promoção da democracia' e 'luta contra o terrorismo'", comentou um internauta. A preocupação do novo governo não é mais "defender Israel", mas dialogar com os Estados árabes para chegar a um acordo de paz no Oriente Médio. E isso é bom para os EUA, pois desvincula a imagem do país à de Israel, que, nos últimos tempos, vem cometendo um ato cruel atrás do outro.

Sobra ao governo Obama, na atual conjuntura, apenas poucas opções: aliar-se a Israel, e ver sua imagem denegrir-se, ou adotar a postura que vem adotando e distanciar-se do Estado Judeu, chegando mesmo a condená-lo. Em seu blogue, um dos mais influente na comunidade judaica norte-americana, Jeffrey Goldberg escreveu: "Eu não acredito necessariamente que você possa resolver todos os problemas que os Estados Unidos têm com o Iraque, Afeganistão, Paquistão e Iêmen congelando apenas a expansão dos assentamentos israelenses nesses territórios. Mas, por outro lado, tampouco há sentido em Israel ser essa 'pedra no sapato' do governo Obama".

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