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Aumentam as divergências entre Israel e Ocidente

sábado, 6 de abril de 2019

Os ataques israelenses à faixa de Gaza desde 1º de Abril podem abalar ainda mais as relações entre Israel e EUA. A tensão entre os países iniciou-se no dia 9 de março, com o anúncio de um projeto de condomínios israelenses na faixa de Gaza dias depois de o presidente Barack Obama pedir para Israel frear o avanço das ocupações. Como agravante, o lançamento da nova ocupação ocorreu durante a visita do vice-presidente dos Estados Unidos ao país. As construções iniciaram-se com conflitos e a morte de cidadãos palestinos. O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu desculpas pelo ocorrido, mas reafirmou que a ocupação da região oriental de Jerusalém é um direto de Israel.
Em seu podcast na Folha Online, o jornalista português João Pereira Coutinho comenta um enfraquecimento do apoio ocidental a Israel. Observamos isso no pronunciamento de Nicolas Sarkozy e de Barack Obama, durante a visita do presidente francês à Casa Branca. Os dois condenaram as construções israelenses em Jerusalém Oriental. Também os comandos militares americanos no Oriente-Médio criticaram a ofensiva israelense, que aumenta impopularidade das tropas estadunidenses na região. Há também o caso da expulsão de um diplomata israelense de Londres. O governo inglês acusa o diplomata de utilizar um passaporte britânico falso durante sua participação na execução de um comandante do Hamas.
Coutinho observa que o Ocidente falhou em sua missão de controlar programa nuclear do Irã, e que Israel estaria agora sozinho “para combater a ameaça iraniana” no oriente médio. Esse será o ponto de defesa Israelense para defender a continuidade das ocupações. Naturalmente as construções na faixa de Gaza não ajudam a combater a ameaça iraniana, mas se o país está só para combater um inimigo que oferece um possível risco nuclear, ele também tem autonomia para administrar as ocupações em Jerusalém.
Já o colunista do New York Times, Noam Chomsky, analisa que as relações militares e tecnológicas entre Israel e EUA nunca estiveram tão avançadas e lucrativas. Realmente há uma prudência na Casa Branca, que até agora não se pronunciou sobre os ataques israelenses que vem ocorrendo desde o início do mês.
É possível que as divergências entre Israel e EUA fiquem apenas nos pronunciamentos. O que é previsível, afinal o presidente Barack Obama é o atual Nobel da Paz, o que o pressiona a posicionar-se contra qualquer ato ofensivo em regiões de conflito. Mas Israel sabe que tem uma grande margem para radicalização sem colocar em risco o apoio dos norte-americanos.

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