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Imprensa inverte causa e efeito da crise

sexta-feira, 12 de abril de 2019

A imprensa não tem ajudado a esclarecer devidamente as causas da crise econômica norte-americana. Ao contrário do que muitos pensam, a crise não se iniciou com o estouro da bolha imobiliária nos EUA. A bolha foi um efeito secundário e “superficial” (porque apareceu primeiro) da crise econômica que a antecedeu.

A atual crise não foi causada pela crise financeira “decorrente” do estouro da bolha imobiliária. Todo esse conjunto decorre da precariedade precedente da economia norte-americana, resultado de uma crise efetiva, sobretudo nos crescentes déficits interno e externo do país, que existiu nos últimos anos que antecederam a “crise”. Os problemas decorrentes da imensa expansão do crédito imobiliário em si não são capazes de criar uma turbulência econômica mundial.

Analistas e jornalistas especializados negligenciaram os problemas na economia dos EUA nos anos de bonança que antecederam a crise atual. Assim, enganaram o seu público desinformado, invertendo as relações de causa e efeito. Para o historiador Pedro Eduardo Portilho de Nader “a bolha imobiliária é, ela própria, conseqüência dos problemas decorrentes dos desarranjos provocados pelos déficits interno e externo; ela é, em grande parte, conseqüência das estratégias formuladas pelo FED para combater os perigos de recessão e de deflação”.

Compreender adequadamente a realidade vivida fica mais difícil diante do papel desempenhado pela imprensa. Usar a história do estouro da bolha no segmento imobiliário como causa da crise serve para isentar aqueles que foram os responsáveis pela crise (não somente porque não a evitaram, mas porque fomentaram as condições para a sua criação).

A imprensa especializada preferiu seguir o caminho mais fácil (para ela). Deixou de cumprir sua função de ajudar a entender as causas que provocaram a crise para que fosse possível compreender o que ela era de fato.

As considerações desfazendo as inversões de causa e efeito mostram que a crise é condicionada por escolhas e decisões, não se tratando de uma fatalidade.

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